Estatística séria e tudo aberto: qualquer pessoa confere as perguntas, as respostas e as notas. Do povo trabalhador, para o povo trabalhador.
De onde falamos. Somos parte da classe trabalhadora brasileira — a maioria do país, que trabalha duro, vive em uma democracia jovem e sob muita influência do interesse estrangeiro, e agora recebe respostas prontas de chatbots no lugar do jornal. Quem tem menos tempo, menos escolaridade e menos acesso à verificação é quem mais confia na primeira resposta que a IA entrega. Se essa resposta for moldada fora do Brasil, quem paga o preço é o trabalhador.
O que está em jogo. Os principais chatbots do mundo são produtos de corporações dos EUA: os programas, as políticas de conteúdo e os critérios de alinhamento são decididos em San Francisco ou Washington — sem transparência, sem auditoria e sem responsabilidade perante o eleitorado brasileiro. E já não é público de nicho: 80% dos brasileiros usam IA para pesquisas. Em 2026, milhões perguntam a um chatbot "em quem votar" — e recebem uma resposta de uma empresa que não vive aqui.
Nossa tese. Problemas novos exigem prevenções novas, regulações novas e ferramentas novas. As respostas das IAs voam abaixo do radar: o jornalismo não as audita em escala e a Justiça Eleitoral não regula o que o chatbot diz no domingo à noite, no celular, sem testemunha. Este projeto fecha essa brecha com estatística séria, conhecimento em IA e dever cívico de justiça. Regulação protege o que já existe; monitorar protege o que ainda está nascendo.
As 4 perguntas que guiam o projeto: 1) existe viés de conteúdo entre candidatos? 2) esse viés muda com o tempo? 3) ele vem do alinhamento das IAs (recusas e enquadramento)? 4) ele difere entre um chatbot e outro?
Ler o manifesto completo →Uma rede de informações perto do eleitor, longe de qualquer auditoria. Os números que tornam este projeto urgente:
dos brasileiros usam IA para buscas e pesquisas (+21% em um ano)
canal de busca mais consultado do país já é o ChatGPT
usuários semanais globalmente; 49% das mensagens são "Perguntar"
não confiam totalmente na IA — mas 80% usam mesmo assim
O jornalismo não audita as respostas dos chatbots. Nenhuma redação repete as mesmas perguntas para três IAs, sempre do mesmo jeito, todos os dias, para comparar o que cada uma responde.
A Justiça Eleitoral regula propaganda, vídeo falso (deepfake) e financiamento — mas não o que a IA diz quando o eleitor pergunta "em quem votar" no domingo à noite.
Milhões de consultas por dia acontecem fora de qualquer olho público: no celular, sem testemunha, sem registro. Até agora, sem estatística.
Denúncias e controvérsias sobre influência dos EUA na política brasileira — registradas com fonte, sem conclusão causal.
As medidas hostis dos EUA têm "interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente" — após revogação do visto da embaixadora Viotti e negativa de vistos a Barnes e Samson, do Departamento de Estado. Os EUA classificaram a suspeita de "mentira sem fundamento".
Alegou, sem provas concretas, uso de NED/USAID para interferir no pleito de 2022; os EUA negam qualquer interferência.
Flávio Bolsonaro questionou as urnas citando alegações sobre a Smartmatic; o TSE rebateu — a empresa nunca forneceu urnas nem software ao sistema eleitoral brasileiro.
Pressão pela abertura de terras raras a estrangeiros e retaliações comerciais compõem o mesmo quadro de tensão.
Problemas novos exigem prevenções novas, regulações novas e ferramentas novas. A IA generativa é o problema informacional mais novo do ciclo eleitoral brasileiro.
Quatro camadas: banco de perguntas → coleta padronizada → avaliação → confirmação por um modelo independente. Tudo versionado.
46 perguntas na primeira versão, tiradas de pesquisas de opinião do 2º turno (Quaest, Datafolha, Gerp, Vox Brasil), do que os candidatos estão dizendo e de fatos que dá para conferir. Cada pergunta tem uma medida, uma justificativa e uma fonte — nada entra no banco por chute.
da mesma pergunta, trocando só o nome do candidato — para comparar em pé de igualdade
perguntas cuja resposta é conferível numa fonte oficial (TSE, IBGE, notas oficiais)
interferência estrangeira, urnas, previsão de resultado e como a IA se vê
fora da política — para saber o jeito normal de cada IA responder
As perguntas são feitas sempre do mesmo jeito: sem criatividade da máquina (o "botão de sorte" fica no zero), mesmas instruções fixas, com data, versão da IA e impressão digital de cada pergunta — para que qualquer pessoa consiga repetir e conferir. As duas metades de cada par rodam juntas, na mesma sessão.
os alvos iniciais: ChatGPT (OpenAI), Gemini (Google) e Claude (Anthropic) — comparados entre si
cada pergunta é repetida três vezes — para separar mudança real da sorte
com a criatividade da máquina no zero, qualquer diferença vem da IA, não do acaso
cada registro guarda a versão da IA, a data e a impressão digital da pergunta feita
As respostas recebem notas automáticas por critérios fixos, depois são conferidas por outro modelo de IA, independente, que não participou de nada da coleta — assim, um candidato não é juiz do próprio julgamento. E a frase do projeto é sempre "sinal consistente com", nunca "isto prova que". Afinal, quem vigia o vigia? A pergunta de Juvenal há dois mil anos — "Quis custodiet ipsos custodes?" — é exatamente por isso que o conferidor é uma IA separada, com instruções abertas para qualquer um conferir.
viés entre candidatos, recusas, enquadramento, escolha de fatos, estabilidade no tempo e quanto o conferidor concorda
uma IA separada das avaliadas, com instruções de auditoria versionadas e nível de confiança declarado
as perguntas, as respostas e as notas brutas — qualquer pessoa pode conferir
medição repetida, porque a IA muda sem avisar — e o monitoramento muda junto
As perguntas foram conferidas com três fontes cruzadas: o que o eleitor diz nas pesquisas, o que os candidatos estão dizendo na campanha e o que dá para checar em documento oficial.
Sem enrolação — e com os termos técnicos explicados na hora.
O manifesto declara de onde falamos — a metodologia, não.
A mesma pergunta trocando o nome do candidato, a criatividade da máquina no zero, um conferidor independente e tudo registrado — fazem a ferramenta expor qualquer viés, inclusive o nosso. Se aparecer um resultado desfavorável a este projeto, ele será publicado.
"Sinal consistente com", nunca conclusão causal. Rigor metodológico antes de qualquer afirmação sobre viés observado.
As perguntas feitas, as respostas recebidas e as notas atribuídas — tudo auditável por qualquer pessoa. Transparência total com quem confia na ferramenta.
Não é dar a resposta certa — é garantir que o trabalhador possa conferir quem respondeu, com que base e o que omitiu.
Fonte: documento-tecnico.md v1.0 · diagrama completo (ASCII + Mermaid) no repositório
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